Línguas da Índia

Qual é a língua oficial da Índia?  A verdade é que não existe uma só “língua indiana”, então a Índia não tem uma só língua oficial – tem duas línguas oficiais (o hindi e o inglês), com 20 outras línguas “reconhecidas” oficialmente na constituição do país!  A Índia é muito diversa, e o ambiente linguístico da Índia é incrivelmente complexo – leia abaixo para mais informações sobre as línguas indianas.

Muitos perguntam qual é “a língua que se fala na Índia” – mas no censo indiano de 2001, tinha 29 línguas diferentes para as quais foram registrados mais de um milhão de falantes nativos cada uma, e 60 línguas para as quais foram registrados mais de 100.000 falantes nativos na Índia!  E também existem centenas de outras línguas faladas na Índia, mas com menos de 100.000 falantes nativos cada.  E estes são idiomas completamente distintos – não simplesmente dialetos.  Muitos também têm escritas diferentes.  O hindi e o tâmil, por exemplo, são basicamente tão diferentes um do outro que a língua portuguesa é do árabe ou do japonês!

Os 22 idiomas reconhecidos oficialmente na constituição da Índia são: assamês, bengali, bodo, canará, caxemíri, concani, dogri, gujaráti, hindi, maithili, malaiala, manipuri (ou meitei), marathi, nepali, oriá, panjabi, sânscrito, santali, sindhi, tâmil, télugo, e urdu.

Abaixo, explicamos um pouco mais sobre o cenário linguístico da Índia.



Línguas indo-europeias e línguas dravídicas

A maioria dos idiomas do norte da Índia são do ramo índico da família indo-europeu de línguas, enquanto a maioria das línguas do sul são da família de línguas dravídicas.  Entre as principais línguas indo-europeias reconhecidas pela constituição da Índia estão o hindi (que, com suas várias línguas relacionadas e seus vários dialetos, tinha mais de 422 milhões de falantes nativos no censo indiano de 2001, sendo assim o idioma mais falado da Índia), o bengali (mais de 83 milhões), o marathi (ou marata, quase 72 milhões), o urdu (mais de 51 milhões), o gujaráti (ou guzerate, mais de 46 milhões), o oriá (mais de 33 milhões), e o panjabi (mais de 29 milhões).  As línguas dravídicas mais faladas na Índia são o télugo (mais de 74 milhões de falantes nativos), o tâmil (mais de 60 milhões), o canará (quase 38 milhões), e o malaiala (mais de 33 milhões), todas do sul do país.

As línguas modernas do ramo índico da família indo-europeia são descendentes da antiga língua indo-europeia sânscrito, cuja relação a essas línguas é comparável com a relação do latim com as línguas modernas de português, francês, espanhol, italiano, etc.  O “parentesco” entre o sânscrito e o latim na família indo-europeia significa que as línguas modernas dos dois ramos linguísticos tem raízes comuns.  Isso se vê muito nas palavras mais básicas – dois é “do” em hindi, por exemplo, sete é “saat”, nove é “nau”, e dez é “das”; mãe e pai são “mata” e “pita”.

Por outro lado, as línguas dravídicas do sul da Índia descendiam de outras línguas antigas e formam uma família linguística completamente distinta.  Como mencionado em cima, por exemplo, a diferença entre o hindi e o tâmil pode ser comparada com a diferença entre o português e o árabe ou o japonês.  Mesmo assim, a proximidade das regiões significou que o sânscrito tinha bastante influência nas línguas do sul também (por exemplo, no vocabulário religioso do hinduísmo).

Os estados da Índia foram, em geral, estabelecidos de acordo com as fronteiras culturais e linguísticas dos principais povos que habitam o país.  Assim, o estado de Kerala é a terra do povo malayali, que fala a língua malaiala, o estado de Punjab é a terra do povo panjabi, que fala a língua panjabi, o estado de Tamil Nadu é a terra do povo tâmil, que fala a língua tâmil, etc.  Essas línguas (e outras) também têm um status oficial nos respectivos estados.

Quase três quartos da população da Índia fala uma língua indo-europeia como língua materna, enquanto quase um quarto fala uma língua dravídica.  Para complicar as coisas ainda mais, uns 2% da população do país – que chega a uns 20 milhões de pessoas – falam línguas de outras famílias linguísticas (por exemplo, línguas tibetanas), que não tem nenhuma relação nem com as línguas indo-europeias nem com as línguas dravídicas!  Muitas dessas línguas são faladas pelas tribos do nordeste do país, perto das fronteiras com a Birmânia, a China, e Bangladesh.

O hindi e o inglês na Índia

O hindi e várias línguas relacionadas são falados principalmente numa faixa grande do norte da Índia, estendendo do estado de Rajasthan no oeste até Bihar no leste.  O hindi mesmo é a língua materna de aproximadamente 15-25% da população indiana, mas esse número chega a mais de 40% com as suas várias línguas “irmãs”.

Além desses falantes nativos, uma grande porcentagem dos indianos falam hindi como sua segunda ou terceira língua.  Esse é principalmente um fenômeno do norte do país – pois, como já explicamos, as línguas da maioria dos povos do norte do país são da mesma família que o hindi (como português/francês), enquanto as línguas do sul não tem nada a ver (como português/japonês).

Na época colonial britânica, a língua oficial do governo era o inglês.  Depois da independência da Índia, a ideia de muitos era estabelecer o hindi como a língua oficial, como um jeito de “liberar o país do jugo colonial”.  Mas esse plano encontrou muita resistência dos povos do sul do país – para eles, o hindi também ia ser uma “língua colonial”, uma língua estrangeira, nada diferente que o inglês!  A resolução do debate era deixar as duas como línguas oficiais do país, também dando as principais línguas regionais um “reconhecimento” oficial na constituição e a cada uma um status oficial no estado onde é falada.

No último censo, só umas 226.000 pessoas (1 de cada 4.500 indianos) informaram que são falantes nativos de inglês, mas muitos outros indianos falam inglês em vários níveis, como uma segunda, terceira, quarta, ou até quinta língua.  O multilinguismo é muito comum na Índia – é normal para um indiano poder comunicar-se, por exemplo, na língua do seu estado e nas línguas dos estados vizinhos, além do hindi e do inglês!

O inglês dos indianos é muito diferente do inglês americano, britânico, ou australiano.  Tem pronuncias diferentes, vocabulário distinto, etc. – as vezes é até um pouco difícil para alguns estrangeiros  entenderem.  Também é muito comum misturar o hindi (por exemplo) com o inglês em uma única conversa – esta mistura se chama “Hinglish”.

Vale destacar o papel do cinema no ambiente linguístico da Índia.  A popularidade dos filmes de Bollywood, sobretudo no norte do país, contribuiu muito para aumentar o número de pessoas que conseguem entender o hindi.  Hoje em dia, em uma Índia que está se modernizando rapidamente, o inglês está muito “na moda” – e aí os filmes começaram a incorporar mais inglês.  Isso está contribuindo lentamente para a difusão do inglês e do “Hinglish” pelo país.

Mesmo assim, a grande maioria da população da Índia não fala inglês.  Quem viaja pela Índia vai achar mais gente que fala inglês nas cidades mais modernizadas, como Mumbai, Bangalore, e Nova Délhi, e entre o povo das classes média e alta.  O inglês é relativamente popular no sul também, por ser muito mais útil que o hindi e não mais difícil para eles aprenderem.  Além disso, o inglês é muito comum nas regiões e cidades turísticas do país inteiro (por exemplo, em Goa ou Manali), onde você quase sempre pode achar alguém que fala inglês.




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